sexta-feira, 12 de junho de 2009

ROMANCE


AVENTURAS DO MENINO DANTA E SEU AMIGO GUERRA


Nota: A partir de hoje, em capítulos, estarei publicando uma história divertida e emocionante de dois garotos que habitaram essas paragens. Peço desculpas pelos erros que por ventura vier a praticar, mesmo sabendo que, futuramente, haverei de corrigi-los.
PALAVRAS INICIAIS
NA METADE do século XX, mais ou menos, passou-se essa história extraordinária de dois amigos inseparáveis.
Dois meninos espertos, vivos, brincalhões e aventureiros. Todos os dias, que chovesse ou fizesse sol, lá iam eles, embornal de pano entrançado nas costas, baladeira nas mãos e, na funda da arma de brinquedo de matar passarinhos, uma pedra feita com lama preta apanhada à beira da lagoa: a lama era burilada com as mãos, formando uma bolinha miúda, e depois colocada ao sol para secar. Em seguida fazia-se outra bolinha, mais uma, dezenas de bolinhas que se transformavam em balas mortíferas.
Banhos na lagoa, canga-pé, soltos e irresponsáveis, donos dos próprios narizes, os dois, a fazerem estripulias nesse mundão que era a pequena cidade chamada de Verdejante.
Verdejante era um cenário favorável para os folguedos e diabruras inventadas pelos dois amigos: uma serra repleta de árvores seculares, rochedos e grutas milenares e animais de muitas espécies; um vale muito verde onde se plantava de tudo, desde hortaliças às frutas regionais: manga, laranja, goiaba, limão, melancia, mamão, pinha e, ainda, os terrenos alagados adequados ao cultivo do arroz.
Do outro lado da cidade, zona oeste, eram os tabuleiros, terrenos com muita areia próprios para o feijão, o milho, o algodão e o caju, revestidos por grandes áreas de mata rala característica pelas capoeiras de marmeleiro, junco, mofumbo, além das plantas resistentes às intempéries como o juazeiro, a oiticica e a carnaúba.
Mas o que encantava mesmo aos dois aventureiros, e à meninada do lugar, era a lagoa. Peixes, margeada por vazantes que alimentavam muitas famílias. Ali cultivavam a batata, a macaxeira, o jerimum, o tomate, e, com destaque, o arroz, donde surgiu a profissão dos “espantadores de passarinhos”, isto é, passava-se o dia vigiando o arrozal espantando as aves que vinham em busca de comida naquela verdura exuberante, aí os espantava puxando um cordão atada a uma lata com pedras que fazia um barulho capaz de mandarem aves famintas para longe.
À lagoa Danta e Guerra frenquentavam diariamente. Às vezes, com idas pela manhã e prla tarde, para banhos memoráveis e nados acrobáticos. Para eles, e para todos que a freqüentavam, era uma delícia.
A lagoa, ainda existe, pois possui três léguas de extensão, não seca nunca, mas os banhos estão proibidos, não somente por causa do banho em si, mas porque era em certos pontos de suas margens que as lavadeiras limpavam a roupa suja dos habitantes de Verdejante.
Uma pena. Os meninos d’agora só têm o direito de contemplar sua beleza, ou passear em botas e canoas. Nada de mergulhar em suas águas calmas e habitadas por peixes. Estes são fisgados por pescadores organizados e que obedecem a lei. Têm a sua associação e retiram da dadivosa lagoa o sustento dos seus familiares.
Na invernada os rios Umaria, afluente do Apodi, outro rio que nasce na serra de São Miguel e deságua no mar de Areia Branca, quando enchiam seus leitos respectivos, e ficavam de barreira e abarreira, para lá seguiam os garotos, vê quem atravessava em menos tempo suas águas correntes e caudalosas. Era uma festa, uma aventura nas águas dos rios que cortavam o município, e que traziam alento para os moradores do lugar, sinal que não faltaria água para os animais e, passado o inverno, as cacimbas e as barragens ficariam cheias, prontas para suportarem o verão inteiro.
Os dois meninos gostavam de diversão, descobrir novos recantos onde pudessem estar descontraídos, camisas abertas ao peito sem importarem com a escola, as obrigações da infância. A infância deles, como dos demais garotos que moravam em Verdejante, era o brinquedo, a passarinhada, o furte de frutas nos quintais alheios, e as mais de mil invencionices pelos arredores da cidade naqueles tempos ditosos.
Época que mais apreciavam era a das fogueiras: Santo Antônio, São João e São Pedro no mês de junho. Aí tinha o que ver. Balões subindo para o céu, fogos de lágrimas e foguetões explodindo no ar. Milho assado nas fogueiras em frente às residências. Barracas em redor da igreja matriz a venderem bolos, refrescos de abacaxi, cocadas e bonecos de açúcar, um sonho para a garotada inocente.
Danta e Guerra não perdiam uma noite de foguetão: disputavam à tapa, com outros peraltas, as tabocas que despencavam lá de cima, depois do estouro ensurdecedor, que anunciava o regozijo, a comemoração pela passagem daquele mês abençoado.
Curiosos, chegavam bem perto do feitor dos balões acendendo a bucha embebida com querosene, óleo diesel e sebo que fazia inflar o colorido balão e, uma vez cheio de gás, subia, subia e sumia do outro lado da lagoa. Mas o gostoso para eles, os meninos, era o balão que apresentasse um defeito, subir pouco e pegar fogo caindo no meio da praça. A gritaria era geral e eles corriam a acompanhar o fracasso daquele misterioso objeto que voava, como na estória de João e Maria que sumiram numa noite escura dentro de um. Outro instante de admiração e gozo dos pequenos, ouvir, em noites de lua, nas debulhas de feijão, a contadora de estórias de trancoso os encantar com João e Maria, O Pavão Misterioso, O Menino Que Não Tinha Medo de Nada, A Mula Sem Cabeça e tantas outras que aguçava a curiosidade da meninada.
Foi nesse cenário, nessas condições do interior do país que nasceram e cresceram os dois amigos: Guerra e Danta, a aprontarem os mais mirabolantes episódios que, apesar de inocentes, deram muito trabalho aos seus pais e vizinhos, a ponto de terem o direito do registro de tais acontecimentos nas páginas deste livro.
E tudo começou assim, numa manhã ensolarada...

quinta-feira, 11 de junho de 2009

CURTAS

CAMPUS - A prefeita Gorete, volta de viagem e anuncia que será construido em Apodi um Campus Avançado da UERN. Teremos cursos diversos para os estudantes locais e da região. O Reitor, Nilton Marques, anunciou que o projeto está pronto, somente receber a doação do terreno, também imediatamente providenciado pela prefeita, para iniciar os trabalhos de construção. Espera-se, ainda este ano, o começo das obras. Quero dar os parabéns à prefeita pela estraordinária vitória!
UFERSA - Ficam aí criticando a administrção municipal porque Caraúbas ganhou o Campus da UFERSA. Ora, a disputa é legítima. Os políticos mais influentes trabalharam para aquela cidade ganhar o benefício. O que nos resta? Sabermos quais os políticos que não trabalharam por Apodi nessa questão, e darmos o trono na eleição. Ficam aí culpando Gorete e mais outras pessoas... Sozinha a prefeita não poderia obrar milagre. Eu pelo menos já sei em quem não votar nas eleições do ano vindouro, justamente por torcer por Caraúbas em detrimento de Apodi.
APLAUSO - Não ouvi os críticos de plantão elogiarem Gorete pela UFRN, quando ela doará, já, o terreno e o Campus será construído. Olha: há mais estudantes frequentando a Universidade Estadual, em Mossoró, do que à Ufersa. Claro que tudo é desenvolvimento para a nossa cidade, mas disputa é disputa. Quero parabenizar os caraubenses e aplaudir Gorete, prefeita de Apodi, por sua conquista. Criticar por criticar, tentanto ganhar voto é hipocrisia e demagogia. Vamos ser imparciais e independentes, não é verdade?
SEIS - Meses de administração os adversários querem que a atual administração seja mágica e, ou obre milagres! Paciência. Muitas reivindicações já foram atendidas. Voucitar o transporte da carne. Era uma vergonha, um trator se arrastava com um reboque feito de zinco, coberto de ferrugem e sujo. Transportes para a área da saúde e o pagamento em dia de funcionários e fornecedores, além da implantação do plano de cargos e salários, polêmico no passado, hoje uma realidade.
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terça-feira, 9 de junho de 2009

INFORMAÇÕES

* Inverno - Está afinando, mas, ao terminar, o deste ano terá sido um dos mais intesos dos últimos tempos. Contudo, segundo os agricultores moradores da zona rural, a safra de feijão, milho e algodão não será das maiores. Mas, para compensar, a safra de castanha vai ser superior a do ano passado, bem como a de mel.

* Avião - O meio de transporte mais seguro do mundo. Para se ter uma ideia, morre mais gente por picadas de abelhas, no Brasil, do que por acidente aéreo em todo o Planeta. O caso desse avião que caiu no mar, não fosse a tempestade ser mais forte do que nas outras noites e um pequeno defeito naquela máquina de voar, não teria havido acidente. Aliás, a investigação que se faz quando um avião cai, é direcionada para se descobrir por que aconteceu o acidente, e, a partir daquele momento, outro avião não será mais acidentado por aqueles defeitos detectados.

* Politicagem - O PSDB diz que não vai fazer política com a CPI da Petrobrás. Hipocrisia pura: já começou com sua propaganda na TV e no rádio. Ainda bem que o povo está vacinado contra as investidas sem futuro dos tucanos. Pergunto: Você já ouviu falar num projeto qualquer, que beneficie ao povo, de iniciativa do PSDB, lá no Congresso? Nunca! Eles votam e aprovam os projetos de iniciativa de outros parlamentares, de outros partidos. Agora, falar de Lula é todo o santo dia.

* Pauta - De Júri intensa. Começou dia 2 de junho e segue até o final do mês: 08 sessões do Tribunal do Júri. Prova de que a Juíza Adriana não está aqui para brincadeira. Disso que a Comarca de Apodi estava a precisar. Parabéns, doutora Adriana.

* Festa - Do padroeiro São João. Quanta saudade... Não há mais balão, nem fogueiras e as brincadeiras de compadre e comadre. Não tem mais foguetão. Nem o jogo de caipira de golinha, nem você vai encontrar aluá para encher a bexiga até estourar. Não se vê mais bonequinhos de açúcar, todos foram embora para a Bolívia. Sim, uma vez eu os vi, naquele país, os bonequinhos de açúcar fazendo a alegria das crianças de lá... Nunca mais o São João será o mesmo sem as barracas encarnada e a azul. A disputa e a vitória para aquela que arrecadasse mais, fizesse o leilão mais rendoso. Acabou-se. O que existes agora? Nada... Só muita saudade.

domingo, 7 de junho de 2009

EU PENSO

"I THINK" - escreveu o naturalista,
Com sua seleção natural,
A prova da vida original
Nas ilhas Galápagos, mundo hostil,
Darwin percorreu mares
E os mais inóspitos lugares,
Até parar aqui, no Brasil!
Sintetizou, em ação estóica,
A era proterozoica,
Apresentando, um feito à vista,
O reino monera das arqueobactérias,
Sempre buscando as matérias,
Estudando o reino protista,
Império dos protozoários e amebas.
Ajgas - Tu bem o averbas!
Confirmou na teoria evolutiva,
Passando para a paleozóica era,
Já com a presença de seres na ativa:
Pluricelulares, o surgir da primavera
Do estudo de animália e plantae,
Como reino dos fungos, esponjas,
Animais, plantas, sem desejar lisonjas
Por tão apropriado descobrir.
Plantas com sementes e com flor,
Planteimintos, cnidários, cor,
Os moluscos artrópodes, anelídeos
E equinodermos. Sem apelidos
Chegou aos vertebrados, condreictes,
- Sonda os confins sem limites -
Secunda o reino fungi, genético material,
Membrana, como bolores e cogumelos.
Lá vêm os crustáceos, ostectes,
Miriápodes, insetos, quelicerados
E tretápodes os mais visados.
Descreve a era mesozóica,
De todas a mais heróica,
Superiores plantas e animais mamíferos,
Répteis, marsupiais e placentários,
Os dinossauros lendários,
Extintos e das plantas monocotiledôneas,
Ecotiledôneas na mesma árvore filogenética!
Daqui surgiram os cetáceos,
Os edentados e os probocídeos.
Mamíferos! Luz que alumia!
Chega a era cenozóica, o processo
De evolução do homem se dá
Então, depois dos roedores, nas datas,
Antiodáctilos, os famosos primatas!
Macacos - Perissodáctios, carnívoros,
E das aves a mais bela: o tucano
De espécies variadas, pois sim.
De lá vem o homem, enfim,
Pensador, astuto e consciente.
De todos os animais da terra
Que Darwun pesquisou, da serra
Ao fundo do mar, o mais inteligente.
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sexta-feira, 5 de junho de 2009

JUÍZAS E PROMOTORAS

APODI, cidade encravada no semiárido nordestino, no estado do Rio Grande do Norte, sofria, como tantas destes rincões sertanejos, pela falta de um Juiz em sua Comarca que, além da sede, ainda conta com qutro termos: Severiano Melo, Itaú, Rodolfo Fernandes e Felipe Guerra.
Representam, as cinco cidades, em termos de habitantes, 80.000, aproximadamente, e somente a cidade sede conta hoje com cerca de 45 mil.
O certo é que Apodi se apresenta como Comarca de 2ª entrância, e, assim, quando para cá vêm os Juízes e os Promotores, promovidos, logo começam a concorrerem em busca de uma 3ª entrância. Destarte sempre nos deixam a ver navios.
Agora nós já temos o Juizado Especial das Pequenas Causas: Cíveis e Criminais, o que fez com que a demanda de processos aumentasse consideravelmente, não bastassem os mais de 6.000 que tramitavam por lá.
Apesar disso, nos últimos anos, apesar da obrigatoriedade dos Juízes terem que residir em suas Comarcas, assim reza a Lei Orgânica da Magistratura, os que são nomeados para o Apodi, geralmente, residem em Natal. Frequentam o Forum na segunda de tarde e se vão na sexta pela manhã.
Mas nem sempre foi assim. Lembro muito bem, quando criança, os Juízes morando com suas famílias na cidade, e pareciam colados a ela porque até 10 anos eu conheci um Juiz que ficou, gostou e quase não vai embora de Apodi.
Mas, depois de todo este intróito, quero dizer que atualmente nós temos duas Juízas e duas Promotoras atuando na Comarca de Apodi. São elas: Dra. Andréia, da Vara Cível, e Dra. Adriana, da Vara Criminal. Enquanto as Promotoras são: Dra. Uliana, atuando na Cível, e Dra. Danielle que atua na Criminal.
Não persistisse, entre elas, o desejo de sempre morarem na capital do Estado, seriam consideradas o primor dos primores em termos de trabalho na Justiça servindo à sociedade desta grande Comarca. Inteligentes, jovens, e com todo o respeito, bonitas. Rápidas no gatilho, isto é, céleres na administração dos autos processuais, além de imensamente simpáticas, as quatro.
Processo nas mãos delas não pára, caminha. Requerimento de advogado não envelhece, tem resposta. Inquérito ou tem denúncia e vai a julgamento, ou então desce para o arquivo. Nada de entulho. Atendimento nota 10. Um espetáculo!
Não, não é exagero. Trabalham as quatro jovens, com destemor e abnegação, ciosas do dever a ser cumprido, dentro da lei, com bom senso, mas com acentuada dose de bom humor. Posso dizer, como atuo na qualidade de advogado - decano da Comarca - com todas elas, conheço-ás, já, de perto, assegurando de que Apodi, desta vez, convenhamos, saiu ganhando com a nomeação das jovens mulheres para o comando da justiça na Comarca.
Participei à todas, de que o município é grande e dotado de um Vale, onde em se plantando tudo dá; uma lagoa, dádiva da natureza, com três léguas de extensão grande atração turística; uma Chapada onde se encontra o segundo terreno mais fértil do Planeta e que abriga famoso Lajedo de Soledade, numa beleza retratada em pedras brutas milenares, com grutas intrigantes repletas de inscrições rupestres e, por fim, Apodi é berço mãe de povo bom e hospitaleiro.
Maneira que as incentivo ficarem por aqui pelo menos por uns 6 anos, não seguirem a trilha dos colegas passados, que, mal chegavam, já contemplavam o horizonte buscando uma saída para uma Comarca de 3ª, o que é de direito e certo, mas que, às, vezes, nem ficavam por meros dois anos e isso causava uma solução de continuidade espetacular no saneamento dos processos.
Bem-vindas meninas do judiciário, que a água quase mineral da terra apodiense faça com que desejem ficar por cá, pelo menos uns 20 anos... não somente os seis que vaticinei, acima.